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Notas
de Psicologia |
Ser
Pai |
A experiência da paternidade/maternidade está profundamente
enraizada na condição humana, sendo evidentes e profundas
as mudanças que progressivamente se vão verificando nas últimas
décadas na cultura ocidental, no que se refere do ser pai. É hoje
muito frequente encontrar o pai como o progenitor activo, envolvido
na prestação de serviços à criança –– mudar
fraldas, dar banho, interagindo frequentemente com ela, partilhando
tarefas domésticas e de educação –– em
que as dimensões instrumentais são equilibradas
com as emocionais e afectivas. Podemos assim compreender melhor que Deus-Pai não é aquela figura distante e longínqua que nos foi transmitida ao longo de gerações, mas é um Pai que estabelece preferencialmente uma relação marcada pela ternura, pelo amor, pelo respeito e pela confiança, que se identifica mais com o Pai que nos revelou Jesus Cristo. Aliás, quando Cristo chama a Deus de Abba remeteu os seus contemporâneos para a experiência vital da relação humana pai/filho, experiência que indiciava contornos de uma proximidade e intimidade que os escribas e fariseus consideraram escandalosos, funcionando como um dos argumentos mais decisivos para O condenarem à morte. A visão de complementaridade e cooperante a que se vai chegando na cultura actual sobre o ser pai e o ser mãe e o reconhecimento da sua importância no desenvolvimento das futuras gerações ajuda-nos a perceber, através desta matriz humana, que o Deus dos cristãos, Aquele que Jesus nos revelou no Evangelho é um Deus com um rosto de Pai e de Mãe, a quem podemos chamar de papá (Abba), sendo a grande referência ética e simultaneamente de ternura e Amor. N.M. |
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